blog

Home office: cuidado para não acabar esquecido

29/10/2018



Este mês eu completo 12 anos trabalhando como “autônoma”, no modelo home office. Por mais clichê que possa soar, a gente aprende diariamente, não importa quanta experiência tenhamos acumulada. Mas também conseguimos falar com alguma autoridade sobre determinados aspectos, como os cuidados que precisamos tomar para não acabarmos esquecidos em um mercado cada dia mais concorrido.

Para dar uma ideia do quanto cresce a concorrência nesse nosso segmento, quando eu deixei a redação do jornal Computerworld, em 2006, havia ali algo em torno de sete a oito profissionais, entre repórteres e editores, cuidando das edições impressa e online da publicação. Nos anos que seguiram, a versão impressa foi extinta e a equipe foi reduzida a um profissional. No início de 2018, o título foi comprado pela concorrente IT Mídia. Editoras maiores, como a Abril, anunciaram recentemente o fechamento de dezenas de revistas e a demissão de centenas de profissionais. E publicações como Valor Econômico, Época, Extra e O Globo demitiram juntas, neste mês de outubro, mais de 150 pessoas.

“Ah, mas se você trabalha direitinho, não falta trabalho.” No começo, realmente não. Com o passar do tempo, especialmente quando consideramos a enxurrada de bons profissionais devolvidos ao mercado, se você ficar recluso no escritório, as demandas desaceleram sim. E essa foi uma das coisas que aprendi a duras penas.

Dedicava todo o meu tempo a apurar matérias, entrevistar fontes, redigir textos e garantir que tudo fosse entregue com a alta qualidade, dentro dos prazos super curtos, muitas vezes estipulados por mim mesma. Sempre buscando a máxima satisfação do cliente. Além disso, absorvi as tarefas das "áreas contábil, financeira, de vendas e de compras" da F2 Conteúdo. 

Nos primeiros anos, verdade seja dita, os trabalhos vinham aos montes e, como resultado, não sobrava tempo para cultivar relacionamentos profissionais e nem tampouco os pessoais. Sim, porque muitas vezes o happy hour com amigos acontece na saída de uma reunião ou de um evento, aos quais você não vai mais. “E eu não vou sair de casa, atravessar a cidade nesse trânsito, só pra tomar cerveja, né?” Os bate-papos no café também deixaram de existir. Depois, independentemente da dedicação e qualidade do trabalho, os serviços pareceram minguar.

Também é verdade que atravessamos momentos de crise financeira no exterior – e alguns clientes eram multinacionais que seguraram investimentos. Mas aí vieram tempos de vacas gordas, com a economia brasileira caminhando a passos largos nos anos de 2011 a 2014. E aí chegou a crise de 2015 - que resiste bravamente até os dias atuais. Mas, além das interferências econômicas diretas, seguramente também se aplica o velho ditado “quem não é visto não é lembrado”.

Ficou a lição: independentemente do cenário econômico e político, é sempre importante investir tempo para não ser esquecido. Quando se vive em home office, é fundamental marcar encontros com colegas. Vale aquele que foi seu par em um emprego anterior, o amigo que também trabalha de freela, pode ser aquela sua fonte dos tempos de redação ou o antigo chefe, que hoje gerencia uma nova divisão de negócios.

Os encontros são essenciais para que colegas tenham você em mente quando souberem de oportunidades de trabalho. Muitas vezes, acredite, eles não te indicam simplesmente porque não lembraram de você.  Faça o exercício contrário: quando alguém lhe pede uma indicação, a tendência é você lembrar do colega com quem esteve na semana passada ou daquele que lhe enviou um e-mail com o currículo cerca de seis meses atrás? 

E mesmo quando inicialmente não há interesse profissional em vista, os encontros também são válidos. Só para colocar o papo em dia, saber o que anda fazendo aquele amigo e até ficar por dentro das fofocas de mercado. Porque isso ajuda a traçar novos caminhos para o seu trabalho, ajuda a entender em que áreas vale investir, que tipo de cursos pode valer a pena fazer. Desses encontros também podem surgir ideias de parcerias brilhantes.

E, mais do que isso, eles reforçam amizades, fazem um bem danado para a cabeça, para a saúde do coração e, sim, para a sua produtividade. Tanto é assim, que um estudo conduzido pelo especialista Andrew Oswald, da Universidade de Warwick, do Reino Unido, indicou que profissionais felizes são 12% mais produtivos. Outra análise, esta publicada pela Universidade da Califórnia (EUA), aponta três vezes mais criatividade entre funcionários mais realizados. Resumindo: não se deixe esquecer no home office, nem deixe que o home office lhe faça esquecer de viver.

Ultimas Notícias

- Comunicação interna impacta diretamente a produtividade da sua empresa
- 2020: comunicação interna é prioridade para empresas, segundo o Gartner
- Renovação de contratos: dá pra ser menos desgastante
- Home office, pero no mucho
- E-mail ainda é excelente ferramenta de comunicação
- 51% das empresas apostam em comunicação interna para evitar fake news corporativa


Arquivo Blog


Copyright © F2 Conteúdo - Desevolvido por MPSoft Política de Privacidade e Termos de Uso